Estes anúncios comerciais apresentam as motos BMW através dos desenhos que estas conseguem fazer no terreno através do GPS. Para além deste “Unstoppable”, há no YouTube muitos mais desenhos, barcos na praia, pontes e outros trajectos na cidade e outros lugares.
Ainda a propósito da escala (e por esta altura já se percebeu que há sempre aqui obsessões sazonais), o trabalho da fotógrafa Lori Nix, uma Dorothy gigante debruçada sobre um território miniatura, meticulosamente encenado sob um céu de catástrofes.
Como diz Jeffrey Hoone no site da artista: Lori Nix is an artist who bends the line between truth and illusion in her photographs. She accomplishes this by photographing miniatures and models which illuminate her interest in the disaster movies of the 1970s and her memories of growing up in Kansas—a place that seems to attract disasters like no other.
Talvez estes últimos posts pareçam inadequados eles próprios, produto de saltos demasiado bruscos, demasiado alheios a estas matérias do desenho, da arquitectura e ficção, por causa das quais tenho mantido este blog, para todas as alunas e alunos a que se destinam. Ou estarei talvez a pensar mal, pelos caminhos porventura tortuosos que esta questão da escala, entre o design e o planeamento urbano, me têm levado. Mas essa diferença de dimensão, essa variante única é afinal tão substancial e eloquente ao ponto de contar histórias, de inventar uma outra existência, um mundo paralelo e simultâneo ao nosso.
O choque entre os objectos e figuras de escala desmensurada e aqueles de dimensão microscópica transporta-nos para os aspectos de estranheza e inquietação aos quais não escapariamos caso fossemos privados deste universo confortável, perfeitamente desenhado à escala humana. A experiência desolada destes gigantes e liliputianos, de um mundo assim demasiado hostil, apenas porque demasiado grande ou irrisório, só pode despertar a percepção para este mundo de cá, todos os seus objectos e pessoas e lugares tão à nossa medida.
A obra de Ron Mueck, um escultor australiano residente no Reino Unido, força-nos ao confronto simultâneo entre duas realidades contraditórias. As suas peças hiperrealistas e escrupulosas, em resina de fibra de vidro, embora proporcionalmente correctas são sempre sobre ou sub dimensionadas.
Spooning couple, 2005
Boy, 1999
Two women, 2005
In Bed, 2005
Não pode ser mais eloquente que isto.
“He so nearly captures that extra bit, what we call the soul or spirit, that flame inside that makes us ourselves. He takes one to the very edge of the idea of life, calls into question what it is to be a person, what it is to be human.”- Marina Warner
Informo os alunos/as de Ficção e Arquitectura que as aulas, já a partir de amanhã, serão na sala 5.1.2 (mezzanine por cima das salas de Design de Moda) no mesmo horário.
I hereby inform the students of Fiction & Architecture that the classroom changed, from tomorrow onwards, to room 5.1.2. (mezzanine above the classrooms of Fashion Design), in the same schedule.
Mais trágica ainda seria a existência destas desmensuradas raparigas. Enormes bonecas, perplexas e inadequadas, tombadas sobre um mundo indiferente, demasiado pequeno, quando tentavam banalmente seguir com as suas vidas.
Não sei muito sobre Slinkachu – sei que tem 30 anos e que anda a povoar as ruas de Londres com este povo diminuto. Descobri este álbum numa livraria em Southbank quase à hora do fecho e não podia hesitar. Mas desde que o abri, e nos dias que me restaram, não deixei de procurar por vestígios desta gente pequenina pousada numa fenda do pavimento, parada no muro, num canteiro do passeio.
Não encontrei ninguém. Mas a possibilidade de encontrar essa vida paralela e discreta, uma outra escala de experiência, pelas ruas da cidade, é encantatória. E, no entanto, ao mesmo tempo, podem ser imensamente tristes e comoventes as fotografias do pequeno povo de Slinkachu, imóvel, indefeso e só no meio da cidade.
Mais uma iniciativa de Eduardo Salavisa que, a convite do Centro Cultural de Lagos, organizou uma exposição de Diários Gráficos. Desenhos em Cadernos. Inaugura no dia 31 de Outubro e estará aberta até ao fim do ano, seguindo depois até Torres Vedras, do dia 9 de Janeiro até ao fim desse mês. Desta vez, não me organizei para participar apesar do simpático convite do Eduardo. Mas vale bem mais ver os cadernos dos 33 autores que integram a exposição ou, à falta de melhor, folhear o catálogo aqui.
Ah, e em Lagos vão acontecer ainda uma série de conferências e workshops. Fica aqui o convite.
Por motivos alheios à minha vontade, não foi possível actualizar a informação sobre o plano de aulas/trabalho desta semana com a antecedência habitual nas páginas de cada turma/curso. Neste momento, já consta da página de APUT e Design, sendo que para Ficção e Arquitectura (F+A) a informação estará completa amanhã.
Não creio que volte a acontecer, espero que esta agenda seja tão útil para os alunos/as como é para a minha própria organização das aulas.
Este projecto reune e divulga visualizações interactivas de diversas praças urbanas por todo o mundo. Se bem que não substitua a experiência directa e pessoal do espaço, permite por outro lado a percepção de aspectos e detalhes aos quais costumamos estar desatentos em passeio. Esta iniciativa está integrada numa proposta mais abrangente de renovação da vida urbana e do espaço público orientada para o pedestre (passeante/caminhante), baseada nos métodos da psicogeografia.
Cada praça está também classificada segundo um sistema cruzado entre reacções dos visitantes e as tipologias e funções de cada uma. São 14 e belíssimas as praças portuguesas aí tratadas e conheci algumas pela primeira vez. A colecção pode receber contributos de praças ainda por registar, desde que cumpram os requisitos mínimos de qualidade fotográfica.
Ainda pensando em objectos e territórios, a propósito das aulas em Design e em Planeamento Urbano, lembrei-me de um site que visito muitas vezes em zapping pela net. E, a cada visita, é como abrir uma caixa de bombons sortidos e provar este ou aquele pela cor, forma e descrição do recheio.
Abram em Visual Complexity e escolham pelas amostras as visualizações das redes e mapas de ligações de coisas tão diversas como os movimentos de uma criança em frente à televisão, o fluxo de pessoas no metro de Paris, os downloads de música num determinado momento ou os acessos ao lugar mais remoto da Terra.
Relações de trabalho entre uma comunidade de inventores e cientistas.
Rede de ligações aéreas mundiais num dia.
Visualização de sistema de classificação de uma biblioteca.
Desde que soube que este semestre, depois de vários pedidos e permutas, fiquei finalmente a leccionar Desenho I aos cursos de Design, de Planeamento Urbano e Territorial e de Gestão Urbanística, dou por mim a pensar no que há em comum entre estes programas, práticas e disciplinas.
A questão da variação da escala, colectiva e macroscópica do território, e próxima do uso individual e adaptado de muitos objectos de Design, parecia-me desde logo um estreitamento dos próprios limites disciplinares. Os territórios já não são só aqueles que se limitam com marcos e se medem em hectares, nem o design serve só para gerar logotipos, isqueiros e cadeiras.
Continuo a pensar e um borbulhar de ideias informes aparece aos poucos, ainda sem fundamento nem exemplo, por onde gostaria de estudar e demorar. Só posso por agora brincar com essas ideias, como fez Rachel Young a encontrar alfabetos nas imagens de satélite do Google Earth.